DESAFABO
Sempre fui de desafiar o proibido, mesmo sem saber quando realmente era proibido ou não.
Hoje, me pago pensando no peso que trago da minha bagagem “vivencial”
O que realmente não cala em minha mente é, será mesmo que não aprendi nada ¿
Por que não viver a vida sem barreiras, sem proibições ...
Quando ouço a palavra Não, algo vivo dentro de mim, dentro da minha mente manda um sinal para o meu corpo,
O meu corpo e minha mente respondem, Por que NÃO ¿
E daí me pego fazendo o que não era para ser feito.
Arrependimentos ¿
Alguns ...
Se faria novamente ¿
Talvez ...
Quanto mais sei, mas desejo não saber.
Evoluir, uma palavra que estava muito em moda na minha vida.
Evoluir é doloroso. É fazer sacrifícios.
Não sei se estou disposta a isso.
Já fiz alguns. Outros ainda bato a cabeça fazendo.
Chego a pensar que tudo isso é uma droga.
Droga de viciar. Droga de porcaria.
Sou fraca. Meu ponto fraco é algo banal.
Banalidades que me consomem.
Olhar nos olhos das pessoas que estão ao meu redor e não poder ser sincera. Machuca.
Uma dor que vai além da compreensão de qualquer pessoa normal que habita na Terra.
Já passei por provas. Já repeti nesse jogo.
Pessoas que me magoaram. Pessoas que me ajudaram. Pessoas que me amam. Pessoas apenas que tiraram proveito de mim.
Odeio viver nessa bola de neve. Odeio mentir. Odeio principalmente reconhecer que sou fraca.
Cair em tentação, esse é o meu ponto fraco.
Pessoas que me julgam ser uma pessoa equilibrada.
Nada sabem sobre meu interior. Se inferno existe, e eu sei que existe, está dentro de mim.
Estou sem forças para lutar, ou sei lá se quero mesmo entrar nessa guerra.
Estranho é perceber onde tudo isso vai dar. Vai dar em algo muito ruim.
Ruim pra mim. Ruim para quem vive comigo.
A dor não passa.
Me vejo encarando todo sofrimento novamente.
Um quarto vazio e escuro, onde eu choro sozinha agoniada.
Já me socorreram dele uma vez. Agora acho que não tem mais jeito.
Todo esforço antes feito para mim, foi jogado pela privada. E eu deu descarga.
Puxei a corda quando não lutei em cair em tentação.
No começo foi divertido, achei várias desculpas para isso. Tentei me convencer e jurei que seria apenas uma vez.
Aconteceu a segunda, terceira, quarta, e todos os dias seguintes até hoje.
Seria mais fácil entrar em coma, ou ir meditar, mas não tenho escolha, preciso encarar.
O choro fica mais forte e constante a cada dia.
A você, ele não atinge.
O véu foi tirado, não adianta mais tentar tampar, com desculpas esfarrapadas.
Se eu abrir o jogo, como será ¿
Vai doer, mas pelo menos todos vão saber e a farsa será destruída.
Se eu continuar, me machuco, como cortes no corpo.
Se eu parar ... bom se eu parar ...
Então eu paro, pelo menos por aqui. Hoje. Pois amanhã será outro dia.
Continuar é decisão minha, e a realidade é bem simples. Eu não quero mais isso.
Quero voltar como antes. Acordar e ver o arco iris, o sol brilhando, sentir o cheiro da chuva.
É como entrar na cela, fechar as grades e jogar a chave do outro lado.
Tentar alcançar a chave do outro lado da grade, é um esforço bem grande.
Já estou ficando esgotada. A dor e a agonia não deixam eu traçar um plano para fugir disso.
Se eu for embora, você ficara bem ¿
Vai deixar eu ir sem magoas ¿
Quando marcamos a vida de uma pessoa, seja essa marca boa ou ruim, nunca esquecemos dela.
Momentos feliz, posso contar quantos eu tive.
Podem até ter sido poucos, mas foram vividos intensamente.
O caminho é seguir sozinha. Há controvérsias.
Mas o melhor é assim, cada dia que passa, mais me conformo com isso.
Estar acompanhada virou motivo de sofrimento, mentiras, decepção.
O que será então estar feliz acompanhada ¿
Acompanhada por uma pessoa onde haja amor e carinho íntimo.
Alguns me acompanham por vontade própria, outros eu apenas permito que acompanhem e alguns não faço questão nenhuma.
Os de vontade própria, esses eu deveria valorizar mais, pois fazem isso por algum motivo, talvez amor, admiração, respeito ...
A chave disso tudo é agir. Agora e por todo resto que ainda me sobra aqui.
Difícil é encarar o que devo fazer. Voltar para solidão, transparente ou apenas estar acompanhada com sofrimento.
A resposta está bem clara. Devo ser sincera comigo mesma. Isso ninguém pode tirar de mim.
Encontrar a paz. Essa agora nem em orações. A vergonha é muita no momento para orar.
Não, não é orgulho. É vergonha mesmo. Vergonha.
Acredito que já abusei demais. Abusei e não aprendi ou melhor aprendi e não segui.
O corpo está tenso. Dores e mais dores. Musculares, mentais, físicas, espirituais.
Um sorriso agora vem a mente. Creio que o sorriso mais puro e sincero que conheço.
Mesmo sendo um sorriso de gente pequena, esse sorriso ... ahhhh sem palavras.
Pena estar longe de mim agora.
Os músculos aliviaram um pouco agora. A dor adormeceu. Só resta agora o inchaço ir embora.
Errar é humano, apenas persisti que é burrice. Não quero mais persistir nisso.
A primeira foi um erro, agora está sendo burrice, mas tudo bem a terceira não vai acontecer.
Escrito por Luna às 09:11:16 PM
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